Tuesday, March 07, 2006

arte gotica e poemas



AKI ESTAO ALGUMAS FOTOS DA CULTURA GOTICA.

viva la mejores de las artes

Para a maioria dos homens, a arte medieval é, desde há muito, sinônimo de arte gótica. Esta concepção, que ignora as artes bizantina e românica, é em parte justificável pelo fato da arte gótica ser a mais espetacular da Idade Média. A sua arquitetura é particularmente ousada e marca de certo modo, no Ocidente, o apogeu de um período que os historiadores situam entre 395 e 1453(queda de Constantinopla). A arte gótica foi apreciada de maneiras diferentes consoante as épocas. Durante os séculos em que foi "moderna", era conhecida sob o nome de "opus francigenum", o que significa "obra francesa", termo que evoca a sua principal origem. Todavia, assim que os italianos dos séculos XV e XVI se entusiasmaram pela Antigüidade Clássica, consideraram a Idade Média como uma época barbara, cuja principal criação era um estilo caracterizado pelo arco em ogiva. Como os Godos eram os bárbaros mais conhecidos, o estilo foi chamado gótico, isto é, bárbaro por excelência. A partir do século XIX com o romantismo, o adjetivo "gótico" perdeu o sentido pejorativo, mas no século XVI exprimia ainda desprezo.
Em geral, o gótico é mais homogêneo que o românico. Apesar de ser diferente na França, na Inglaterra, na Espanha ou na Itália e se um estudo mais profundo mostra diversidades regionais dentro de cada país, estas variações são menores comparadas as que existem na arquitetura e na escultura românicas. A unidade do gótico pode ser atribuída, em certa medida, à insegurança do trabalho nesta época; os artífices andavamos artífices andavam de cidade em cidade segundo as possibilidades de emprego.

Se a arte românica é fruto da Igreja, a arte gótica ao contrário nasceu com as cidades. A catedral tornou-se o centro da cidade, sendo a maior parte de suas atividades realizadas junto às paredes do edifício religioso ou no seu adro. Cada corporação da cidade contribuía para a sua execução. As diferentes Guildas poderiam por exemplo oferecer vitrais ou financiar a construção de uma capela. Em Chartres, os habitantes da cidade atrelavam-se às carroças para transportar a pedra para o local da obra, contribuição pessoal animada tanto pelo entusiasmo religioso como pelo orgulho cívico, pis a rivalidade entre as cidades era então intensa. Assim Paris construiu Notre-Dame, elevando as abóbadas a mais de trinta metros; um pouco mais tarde, Amiens construiu uma catedral cuja abóbada atingia quarenta metros; Beauvais ultrapassou-as em seguida, com uma catedral cuja nave central tinha perto de cinqüenta metros de altura. Em Beauvais, o desejo de ultrapassar as cidades rivais foi tal, que o edifício se desmoronou parcialmente, obrigando a reconstrução; e Siena, sempre invejosa de Florença, foi a primeira das duas cidades a construir uma catedral suntuosa. Florença aceitou o desafio e edificou outra catedral ainda maior. Para não ser batida, Siena decidiu fazer da anterior construção o transepto dum edifício gigantesco. Os sienenses nunca passaram além das fundações, mas estas mostram-nos claramente as suas verdadeiras intenções.
A glória que as cidades alcançavam com as suas catedrais e o papel ativo desempenhado pelos seus habitantes em tais edificações fizeram crer freqüentemente que não havia arquitetos. É verdade que o título de arquiteto surge raramente nos registros medievais; o homem que desempenhava essa função é designado pelo nome mestre de obras ou mestre pedreiro. Estes artífices diferiam dos arquitetos modernos pelo fato de acumularem funções de arquiteto, de empreiteiro e de contramestre. Seria absurdo pensar que as plantas de edifícios tão complexos possam ter sido obra coletiva. Houve certamente em cada caso um homem que, pela imaginação, pelo sentido das proporções e pelos conhecimentos técnicos, se tornou arquiteto- um homem que cristalizava em si a concepção da catedral. Embora deixasse aos seus subordinados uma liberdade maior do que é possível hoje em dia, permitindo-lhes desenvolver idéias pessoais nas esculturas dos capitéis ou noutras partes do edifício, não deixando de ser por isso o principal responsável. Com efeito, conhecemos o nome da maior parte destes mestres-de-obra; o que não possuímos é a sua biografia. Para nós estes homens são unicamente nomes. Parece que o artista medieval não procurou o renome para além de seu próprio tempo; também é verdade que a imprensa ainda não existia.
Mesmo se tomarmos em linha de conta a importância do papel desempenhado pelo mundo secular na construção das catedrais góticas, não podemos minimizar o poder da força espiritual que a animou. É já bastante significativo o fato da cidade ter escolhido a catedral como principal monumento. O arrojo vertical da igreja, com os arcobotantes, os pináculos e as flechas, exprime um entusiasmo religioso e um fervor inigualável. Nenhum outro estilo revelou a exaltação mística com tanta perfeição.

O QUE E GOTICO?

Há um cheiro pútrido no ar. São estes vermes alimentando-se das ultimas conquistas orgulhosas do homem. Estes vermes chamam-se 'anjos negros da modernidade'. São perigosíssimos, pois são mutantes e quando o homem orgulhoso levanta a testa e caminha a passos largos acreditando estar adiante, o verme olha para ele e lhe sorri cinicamente, retornando em seguida a seus pequenos afazeres cotidianos (...) Certa vez, alguns vermes conseguiram se reunir num grupo que se chamou 'Tempestade e Ímpeto'. Tempos depois outro grupo surgiu, chamou-se 'Surrealismo', mas normalmente eles agem sozinhos".Giannatasio
Sempre que me deparo com discussões a respeito de uma definição para o que seria gótico ou dark, o que primeiro me vem a mente é "Será que tal se constituiria em uma escola, uma corrente literária, musical ou coisa do tipo?? A resposta que obtenho quase sempre é não. Nessa hora é bem mais fácil pensar na referência a tribo urbana que recebeu esta denominação, mas como diria Mencken "para cada problema complexo há sempre uma resposta clara, simples e errada".Acompanhando algum tempo listas de discussão e conversando com os chamados "góticos", cheguei a conclusão que ser gótico ou dark relaciona-se mais a uma opção estética do que qualquer outra coisa.Este sentido estético particular apresenta características definidas principalmente o que se refere as temáticas abordadas, mas não constituiria em si nenhuma escola artística específica, absorvendo influências diversas, unindo em um mesmo caldeirão influências românticas, surrealistas, expressionistas y muchas otras más.
Minhas missão neste "tour de force"é portanto estabelecer que relação haveria afinal entre o tenebroso Peter Murphy e o dândi Lorde Byron, ou entre Edgar Alann Poe e Siouxie Sioux, expondo desse modo a minha opinião sobre o assunto.
Góticos: opções estéticas e definições
Em primeiro lugar vamos as definições começando pelo sentido etimológico e histórico da palavra.
O termo gótico têm sua origem ligado a um estilo de arte medieval presente entre os séculos XIII e XIV que sucedeu ao estilo românico (séculos XI e XII) fazendo-lhe oposição. Sua presença é marcante no que se refere principalmente a arquitetura, sendo famosas as catedrais que seguiram o seu padrão arquitetural como Notre-Dame de Paris, Chartres e Reims (para saber mais sobre arte gótica clique aqui ).
O aparecimento do termo gótico entretanto encontra-se alguns anos a frente dessas construções medievais. Durantes os séculos em que foi moderna, a arte gótica era conhecida sob o nome de "opus francigenarum", o que significa "obra francesa" e indica bem a sua principal origem. Entretanto nos séculos XV e XVI com a Renascença e o entusiasmo pela antiguidade clássica, passou-se a considerar a Idade Média como uma época bárbara e obscura. Como os godos eram os bárbaros mais conhecidos, o estilo passou a se chamar gótico, ou seja, bárbaro por excelência, alcançando um sentido pejorativo e de profundo desprezo.
O Romantismo e o resgate da estética medieval.
"É que cada um tem uma idéia própria , geralmente deturpada, da Idade Média. Só nós monges daquela época sabemos a verdade, mas, ao dizê-la podemos ser queimados vivos".Umberto Eco
O movimento romântico que se fez presente no século XIX procurará romper com os valores do classismo que assim como o renascimento exaltava os valores estéticos da antiguidade clássica e o racionalismo. Ao afrontar esses padrões o romantismo faz uma espécie de "reabilitação" da Idade Média e do seu imaginário.Muitas obras românticas como por exemplo "Notre-Dame de Paris"de Vitor Hugo têm como cenário a Idade Média. Entretanto a visão dos românticos era extremamente idealizada.
São ainda os românticos os responsáveis pelo surgimento do "gothic novel" ou "romam noir", normalmente ambientados em castelos sombrios e ambientes tenebrosos. O castelo de Otranto lançado em 1764 por Walpole é um celebre exemplo disso.A Gothic Novel utiliza o passado como cenografia, pretexto para a construção fabulística, para dar livre curso a imaginação.Walpole pode ser cosiderado o criador e precursor do "gothic novel", seu romance foi inovador rompendo com os padrões literários então vigentes, criando uma atmosfera repleta de personagens inverossímeis, terrores sobrenaturais e castelos arruinados. O estilo fez um tremendo sucesso, sendo copiado por vários autores, indo muito além do romantismo nas formas do conto fantástico, conto de terror e até a ficção científica.
O "verme"romântico nasce ainda sob os trajes do "herético" do "anjo caído" , é o "maldito" por excelência, e isso não podemos perder de vista. Sob esta ótica o romantismo é ainda a reabilitação do mal, onde o mal se transforma em discurso noir, discurso de desconstrução moral que se perpetuará no século XX através do Dadaísmo e do Surrealismo.
É no romantismo literário que se torna mais aparente e mais facilmente acessível para nós esse esforço sincrético para reintegrar no Bem o Mal e as trevas, herdando toda a dramatização da literatura bíblica e da iconografia medieval. Satã faz sua entrada triunfal como o Mefistófeles de Goethe, sendo o herói byroniano do Mistério de Caim. Faz-se a celebração da noite obscura, que passa a ser o lugar previlegiado da celebração dionisíaca tão presente na obra de Novalis ( Hinos à Noite). Acompanhando o resgate dos valores noturnos temos o pessimismo, a loucura, os sonhos, as sombras, a decomposição,a queda, a atração pelo abismo, a morte e a urgência pela vida.
Esta inversão de valores é facilmente reconhecida nas obras de Vitor Hugo como Le Fin de Satan e a já citada Notre-Dame de Paris, onde a maldade e a feiúra tornam-se em ideal.
O herói romântico traduz-se nas figuras do dândi e do libertino, imortalizados em vida e obra por Wilde, Byron e Sade.
O romantismo abre espaço para o terror diabólico e ancestral nas obras de Poe, Le Fanu e Bram Stocker, surgindo da obra destes dois últimos a figura nefasta do vampiro, o amante imortal.
No "dark side" do romantismo portanto, encontramos praticamente todos os elementos estéticos que tanto deliciam os góticos até os dias de hoje...Além da sua origem através da gothic novel.
Amor aos vermes
Claro que não é apenas no romantismo que os atuais góticos se nutrem, mas é na "escola de morrer cedo" que encontramos as suas referências mais preciosas, além da origem da atual acepção do termo.
Todos os "vermes" na verdade tem a sua contribuição a dar, seja um "Bosch" entre a Idade Média e a renascença, um "Byron"romântico, um "Dali"surrealista, a degenerescência de um Fritz Lang, ou o cinismo caústico de um Wilde, pois onde quer que surja uma sociedade ordenada e racional, lá surgirá o "verme delirante", receba ele o nome que for. E talvez seja este o princípio estético dos góticos, o amor aos "vermes", não importa a linguagem ou escola artística.

POEMAS

Não os superei... Veja, estou caindo no rápido abismo Sendo abandonado, deixada num lugar qualquer Sinto-me estranho Não sei o que procuro Mas procuro

Falta uma parte Uma parte de mim... Algo que me complete Que me faça sorrir Mas são apenas sonhos Sonhos que se vão com o passar do tempo

Preciso de um motivo Preciso fazer pulsar as minhas veias Necessito que apareça Apareça Seja você quem for Ou o que for

Veja, ando por entre todos Por que me parece tão complicado? Por que amar é tão raro Tão difícil?? Meu medo está apagando E não posso sair

Adeus! e para sempre embora, Que seja para nunca mais: Sei teu rancor - mas contra ti Não me rebelarei jamais. Visses nu meu peito, onde a fronte Tu descansavas mansamente E te tomava um calmo sono Que perderás completamente: Que cada fundo pensamento No coração pudesses ver! Que estava mal deixá-lo assim Por fim virias a saber. Louve-te o mundo por teu ato, Sorria ele ante a ação feia: Esse louvor deve ofender-te, Pois funda-se na dor alheia. Desfigurassem-me defeitos: Mão não havia menos dura Que a de quem antes me abraçava Que me ferisse assim sem cura? Não te iludas contudo: o amor Pode afundar-se devagar; Porém não pode corações Um golpe súbito apartar. O teu retém a sua vida, E o meu, também, bata sangrando; E a eterna idéia que me aflige É que nos vermos não tem quando. Digo palavras de tristeza Maior que os mortos lastimar; Hão de as manhãs, pois viveremos, De um leito viúvo despertar. E ao achares consolo, quando A nossa filha balbuciar, Ensiná-la-ás a dizer "Pai", Se o meu desvelo vai faltar? Quando as mãozinhas te apertarem E ela teu lábio -houver beijado, Pensa em mim, que te bendirei Teu amor ter-me-ia abençoado. Se parecerem os seus traços Com os de quem podes não mais ver, Teu coração pulsará suave, E fiel a mim há de tremer. Talvez conheças minhas faltas, Minha loucura ninguém sabe; Minha esperança, aonde tu vás, Murcha, mas vai, que ela em ti cabe. Abalou-se o que sinto; o orgulho, Que o mundo não pôde curvar, Curvou-se a ti: se a abandonaste, Minha alma vejo-a a me deixar. Tudo acabou - é vão falar -, Mais vão ainda o que eu disser; Mas forçam rumo os pensamentos Que não podemos empecer. Adeus! assim de ti afastado, Cada laço estreito a perder, O coração só e murcho e seco, Mais que isto mal posso morrer.

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